Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala Você era a favorita onde eu era mestre-sala Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu procurando você Quem te viu, quem te vê Quem não a conhece não pode mais ver pra crer Quem jamais a esquece não pode reconhecer
- - - - - - -
Quando o samba começava, você era a mais brilhante E se a gente se cansava, você só seguia adiante Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
Hoje o samba saiu procurando você Quem te viu, quem te vê Quem não a conhece não pode mais ver pra crer Quem jamais a esquece não pode reconhecer
O meu samba se marcava na cadência dos seus passos O meu sono se embalava no carinho dos seus braços Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão
Hoje o samba saiu procurando você Quem te viu, quem te vê Quem não a conhece não pode mais ver pra crer Quem jamais a esquece não pode reconhecer
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje o samba saiu procurando você Quem te viu, quem te vê Quem não a conhece não pode mais ver pra crer Quem jamais a esquece não pode reconhecer
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria Quero que você assista na mais fina companhia Se você sentir saudade, por favor não dê na vista Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista
Hoje o samba saiu procurando você Quem te viu, quem te vê Quem não a conhece não pode mais ver pra crer Quem jamais a esquece não pode reconhecer
Sentimental eu fico Quando pouso na mesa de um bar Eu sou um lobo cansado carente De cerveja e velhos amigos Na costura da minha vida Mais um ponto No arremate do sorriso mais um nó Aqui pra nós cantar não tá pra peixe Tem coisa transformando a água em pó E apesar de estar no bar caçando amores Eu nego tudo e invento explicações Amigo velho amar não me compete Eu quero é destilar as emoções Sentimental eu fico . . . E os projetos todos tolos combinados Perecerão nas margens da manhã Uma tontura solta na cabeça Um olho em Deus e outro com satã E quando o sol raiar desentendido Eu vou ferir a vista no amanhã E olharei para quem vai pro trabalho Com os olhos feito os olhos de uma rã.