Postal de Férias
para ti
Praia dos Salgados, 07 de Agosto de 2006
Não me lembro se alguma vez te escrevi fora da rotina habitual mas hoje faço-o na praia, a 300 quilómetros do sítio do costume.
Do que tenho vivido nestas férias não há coisa alguma que queira partilhar contigo… que queira, que valha a pena, que faça sentido, que percebas…
Normalmente escrevo-te com as tuas cartas por perto, para responder às tuas perguntas, para dar continuidade aos temas que me interessam explorar e neste momento não as tenho comigo. Normalmente são escritas directamente no e-mail, esta é a primeira que escrevo à mão. Normalmente são pensadas e repensadas antes de serem escritas, neste momento escrevo-te por impulso.
Parei um minuto e percebi que afinal nada tenho a dizer-te, absolutamente nada. Apenas me apeteceu que marcasses a tua presença nesta praia. Talvez te compre um postal… talvez o faça mas acho que não gostarias da ideia… talvez...
No outro dia, na televisão ainda ligada por esquecimento ou descuido estava a dar um especial sobre uma das tuas bandas preferidas… nessa altura pensei como é incrivelmente estúpida a forma como deixo que invadas a minha vida…
Acho que nem imaginas sequer que fazes parte da bagagem que trouxe comigo para estas férias… e é verdade que ultimamente fazes da parte da bagagem que transporto, seja para onde for…
Tenho uma história parada, nem sequer a consegui escrever até meio. Por causa de ti, por ter imaginado uma personagem quase igual a ti, mas é uma mulher, e não sei o que fazer com ela… irónico, não?
P.S. Não comprei o postal mas admito que ainda olhei para dois ou três que acho que gostarias de receber e só depois me lembrei que tudo o que tenho teu é um endereço de e-mail e não uma morada física. Também achei que esta carta pertencia mais aqui do que à tua caixa de correio electrónico… a ficção não pertence ao mundo real, não achas?
Gabriela Ferreira, para a coluna InCINErante, do site Cracatoa simplesmente sumiu
